Conheça os autores selecionados para a coletânea VINHOS & VERSOS
- Coletivo Aspas Duplas

- 20 de jan.
- 5 min de leitura
Vinhos & Versos, uma coletânea poética para lá de ESPECIAL em comemoração ao Dia do Poeta, trata-se de uma EDIÇÃO COMEMORATIVA, organizada pelo Coletivo Literário Aspas Duplas.
Celebrado em 20 de outubro, o Dia do Poeta é um convite à escuta sensível do mundo. É a data em que homenageamos aqueles que transformam silêncio em palavra, emoção em verso e instante em permanência. Assim como o vinho, a poesia nasce do tempo, da observação e da entrega — amadurece lentamente e revela seus aromas a quem se dispõe a sentir. Nesta coletânea, brindar o Dia do Poeta é celebrar a arte de nomear a vida e partilhar, em cada verso, aquilo que nos torna mais humanos.
A ideia da coletânea surgiu do escritor Alcemi Barros, membro do Coletivo. O projeto gráfico, por sua vez, nasceu no formato de uma EDIÇÃO ESPECIAL COMEMORATIVA, em tamanho 16x23cm, selo dourado de Edição Especial, orelhas com 7cm, nota comemorativa, prefácio escrito por um convidado especial, apresentação e epílogo.

O prefácio da obra ficou a cargo do incrível Rogério Felício, apaixonado pelos brancos e tintos antigos da região de Borgonha, colecionador, certificado WSET 3 (Wine & Spirit Education Trust Nível 3), membro da Confraria Cavalieri di Alba, entre outras; e vice-presidente da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio de Janeiro entre 2021 e 2024.
PREFÁCIO, por Rogério Felício
“Deus fez a Cabernet Sauvignon, enquanto o Diabo fez a Pinot Noir”, André Tchelistcheff.
A célebre frase de André Tchelistcheff, o lendário enólogo russo que moldou a Califórnia, sintetiza uma verdade que ecoa até hoje: o vinho é feito de contrastes.
De um lado, a ordem quase divina da Cabernet Sauvignon: estruturada, longeva, confiável. Do outro, a casta Pinot Noir, frágil, sensível e diabólica em sua imprevisibilidade, mas capaz de entregar vinhos de uma beleza que beira o etéreo.
Entre disciplina e poesia, Tchelistcheff nos lembra que o vinho nunca é apenas técnica, é risco, escolha e revelação. Quando esse imigrante russo, que se tornou o enólogo mais influente da Califórnia do século XX, proclamou que “Deus fez o Cabernet Sauvignon, enquanto o Diabo fez a Pinot Noir”, ele não falava apenas de uvas. Falava da eterna luta entre ordem e caos no mundo do vinho.
Porque o vinho, assim como a poesia, nasce de algo simples e cotidiano, mas se transforma em experiência rara. É apenas uva, esmagada pelo tempo e pela paciência do homem, mas quando repousa na taça, revela aromas que falam de histórias antigas, de terras e de silêncios. A poesia também é assim: feita de palavras comuns, recolhidas da vida, mas que, quando reunidas com delicadeza, transformam-se em algo capaz de tocar o invisível.
Nascido em Moscou, em 1901, formado em enologia em Paris e moldado pelas agruras da guerra civil russa, André Tchelistcheff levou consigo uma visão rigorosa da vida para a vinha. Chegou aos Estados Unidos em 1938, contratado pela Beaulieu Vineyeard, no Napa Valley. Ali transformou a região em sinônimo de excelência técnica, introduzindo práticas que se tornaram padrão: fermentação a frio, controle de temperatura, envelhecimento em carvalho francês. Para ele, a Cabernet Sauvignon era a ordem encarnada. Estrutura firma, longevidade quase bíblica, previsibilidade na adega. Uma casta que, mesmo em condições adversas, sabia encontrar equilíbrio e grandeza. Era, na metáfora do enólogo, a dádiva dos céus: confiável, majestosa, feita para atravessar gerações.
Já a Pinot Noir era o oposto. Caprichosa, frágil, sensível ao clima, sujeito a colapsos imprevisíveis. Produzia vinhos de beleza etérea quando bem tratado, mas, na maioria das vezes, frustrava até o produtor mais dedicado. A casta que exige fé, paciência e uma pitada de loucura, atributos que, para Tchelistcheff, aproximavam mais o vinicultor da tentação do que da salvação. Com sua verve literária, capturou, em uma sentença, uma verdade universal: entre Deus e o Diabo, é o vinho que nos revela que a vida também se bebe em contraste.
Há grandeza na disciplina da Cabernet e poesia no risco da Pinot. Essa dialética não é apenas agronômica, mas filosófica. Um gole pode ser um verso. Um suspiro depois da taça, uma estrofe inteira. O vinho aquece e expande o corpo; a poesia, o espírito. Ambos pedem pausa, atenção e entrega. Beber vinho, afinal, é aceitar que o divino e o diabólico convivem em cada taça.
André Tchelistcheff morreu em 1994, mas sua influência se espalha em cada vinhedo da Califórnia e em cada produtor que ainda ecoa suas lições. Sua frase, repetida como um mantra entre enólogos e sommeliers, transcendeu a anedota. Tornou-se símbolo da dualidade que faz do vinho não apenas uma bebida, mas uma metáfora da vida.
E talvez, seja por isso que, quando o mundo parece apressado demais, encontramos no vinho, assim como na poesia, uma forma de resistência: a lembrança de que a beleza se esconde nos detalhes, e que viver, afinal, também é um ato de degustar.
Rogério Felício©
Wine & Spirit Education Trust | Level 3
Além do PREFÁCIO, a coletânea ainda conta com APRESENTAÇÃO e EPÍLOGO, ambos escritos pelo idealizador e fundador do Coletivo Aspas Duplas, o escritor Rafael Caputo, finalista do Prêmio kindle de Literatura (2019) e membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira (AILB).
A coletânea poética "Vinhos & Versos", em conjunto com as coletâneas: "Contando ninguém acredita" e "Crônicas para boi nenhum dormir", fazem parte do movimento intitulado OUTUBRO LITERÁRIO, inciado pelo Coletivo Aspas Duplas em virtude de algumas datas comemorativas como o Dia Nacional da Leitura (12 de outubro), Dia do Poeta (20 de outubro) e Dia Nacional do Livro (29 de outubro).
LISTA DE POETAS PARTICIPANTES
Por fim, segue abaixo, a listagem completa dos autores participantes, que com seus poemas, deram vida à essa deliciosa coletânea. Parabéns poetas e poetisas!
AUTOR(A) PARTICIPANTE | POEMA | |
1 | Adriana Costa Reis | Brinde aos Poetas |
2 | Adriano Frutuoso da Silva | Filosofia, Êxtase e Vinho – Ode ao Amor e à Eternidade |
3 | Alcemi Barros | - |
4 | Amanda Corvell | Nossa Alquimia |
5 | Antônio Carlos Marques | VINHOS TONTOS |
6 | Asile | Elixir do coração |
7 | Beguelly | Vinho e Evolução |
8 | Berão | Vozes |
9 | Camila Cutrim | UM BRINDE DE NÃO-AMOR |
10 | Carina Gameiro | Relógio D’água |
11 | Cleuza Lucas | O primeiro gole / Tempo servido |
12 | CS BARRA | BELA CAMPONESA |
13 | Cyro Eduardo | Gota a Gota |
14 | Eduardo Martins Franco | Excelente safra |
15 | Elenice Lira | AMOR E VINHO |
16 | EuFlor | - |
17 | Fabi Henriques | Remanso Maturar |
18 | Fátima Cristina | Penetrante |
19 | Fernando Poeta | Você é o amor da minha vida |
20 | Flor de Tangerina | Coração de Uva |
21 | Giovanna Salles | FAÇA UMA LOUCURA POR MIM, POR NÓS! |
22 | J. G. Guedes | Amor Tinto |
23 | Jefferson Henrique Cidreira | Encontro a si |
24 | Jorge Fernando dos Santos | Estatuto do Vinho |
25 | José F Stocco | Coração aprendiz |
26 | Kazuhe Shizuru | Celebrando a Vida |
27 | Lay Barreto | Um brinde à vida! |
28 | Luciana Pinheiro Oliveira | Talos de Videiras |
29 | Magno Assis | CALE-SE |
30 | Marcelo Hissa | Mais Uma Vez |
31 | Maria Cecília | Quando você vem, sou vinho |
32 | Núbia Braga | Sou como vinho |
33 | Ornella Otoni | Versos líquidos |
34 | Patrícia Roberta Xavier | Mulheres Ressabiadas |
35 | Philomena Silva | Maturação |
36 | Rachel Carvalho | Vinho tinto |
37 | Rafael Romeiro | O Sorriso Vazio |
38 | Romãzinha Maria | "Poesia engarrafada" |
39 | Rosangela Soares | DOCES DISSABORES |
40 | Rosilda Pereira | SÓBRIA EXISTÊNCIA |
41 | Sérgio Stähellin | Brinde à Praia do Meio |
42 | Shirlei Jussara Ferrer | Entre a taça e o corpo |
43 | Tauã Lima Verdan Rangel | Taça de Vinho |
44 | Ueslei Marcos Nunes | A gôndola do amor |
45 | Vanessa Luçan | Vinho Tinto de Amor |
46 | VILMA GONÇALVES | Livros e Vinhos |








Maravilha! Vou degustar cada estrofe, saborear cada poema até a última gota. Vou me embriagar!